Eu sempre ouvia as pessoas dizendo:
“Enquanto você não se amar, sua vida não vai mudar.”
Mas isso sempre me deixava cheia de perguntas.
O que realmente é se amar?
Porque, na minha cabeça, eu fazia tudo que diziam que uma pessoa que se ama faz:
eu comprava roupas bonitas, me arrumava, fazia o cabelo, saía com amigas, ia ao cinema, tomava café, fazia viagens.
Mas, ainda assim… algo dentro de mim dizia que não era suficiente.
Meu corpo dizia.
Através dos sintomas.
Questões gastrointestinais quando eu não conseguia “digerir” situações da minha vida.
Raiva acumulada.
Problemas na ATM, apertando os dentes por coisas que eu engolia calada.
Sensação constante de injustiça.
Cansaço emocional.
Foi então que eu comecei a observar melhor minha vida.
Nas meditações.
Nas relações.
Nos pequenos desconfortos que eu ignorava diariamente.
E eu entendi uma coisa:
Se amar é dar limites.
E isso eu não fazia.
Eu não dava limites no trabalho.
Não dava limites nas amizades.
Nos relacionamentos.
Na família.
Nem comigo mesma.
E quando você não dá limites, algo dentro de você reage.
Porque existe uma parte muito pura aí dentro — sua alma, sua essência, sua centelha — que não quer que você continue se ferindo para agradar os outros.
Então o corpo fala.
Às vezes através da ansiedade.
Da raiva.
Do cansaço.
Dos sintomas.
Do adoecimento emocional.
Dar limites é se respeitar.
É quando alguém te oferece X sabendo que você merece Y… e você tem coragem de não aceitar menos.
É quando, dentro de uma relação, você para de engolir aquilo que machuca sua verdade.
É quando pais e filhos aprendem que amor também precisa de posicionamento.
Porque amor sem limites vira sofrimento.
E aí eu percebi:
se amar não é apenas se arrumar, viajar ou fazer algo prazeroso.
Às vezes a viagem não é liberdade.
Às vezes é fuga.
O amor verdadeiro começa quando você consegue sustentar um “não” sem culpa.
Enquanto você não der limites para aquilo que te machuca, dificilmente encontrará paz.
Porque amar-se é, antes de tudo, honrar a si mesmo.


