Existem livros que lemos e apreciamos. E existem aqueles que deixam marcas profundas em nossa trajetória.
Para mim, Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, foi um desses livros.
Ao conhecer a história de Carolina, não encontrei apenas uma escritora. Encontrei uma mulher que utilizou a escrita como instrumento de sobrevivência, expressão e transformação.
Moradora da Favela do Canindé, em São Paulo, Carolina registrava em seus cadernos o cotidiano, as dificuldades, a fome, os sonhos e os desafios de criar seus filhos em meio a uma realidade extremamente difícil. Sem imaginar que aqueles registros se transformariam em um dos livros mais importantes da literatura brasileira, ela escrevia porque precisava dar voz à própria existência.
Sua história me tocou profundamente.
Foi através dela que compreendi que escrever não é apenas produzir textos. Escrever é organizar pensamentos, acolher emoções, registrar aprendizados e dar significado às experiências vividas.
Ao longo da minha caminhada, a escrita se tornou uma companheira diária. Muitas reflexões, conteúdos, projetos e sonhos que hoje fazem parte do meu trabalho nasceram primeiro em páginas escritas de forma simples, silenciosa e muitas vezes íntima.
A escrita me ajudou a compreender minha própria história, a atravessar desafios, a ressignificar dores e a reconhecer os caminhos que minha alma desejava seguir.
Quando olho para o projeto Raízes do Ser, percebo que ele também nasceu dessa conexão. Nasceu de anotações, reflexões, estudos, vivências e do desejo genuíno de compartilhar aquilo que foi transformando minha vida ao longo dos anos.
Carolina Maria de Jesus me ensinou que não precisamos esperar o momento perfeito para começar. Não precisamos ser especialistas, ter reconhecimento ou aprovação para escrever.
Precisamos apenas começar.
Talvez você também carregue dentro de si histórias, aprendizados, sonhos ou sentimentos que merecem ser registrados.
Quem sabe um caderno possa se tornar o início de uma nova jornada?
Porque muitas vezes aquilo que escrevemos não transforma apenas uma página.
Transforma a nós mesmos.
Com carinho,
Lilian Maria
Raízes do Ser


