Nos nossos primeiros suspiros, já sabemos quem somos.
Viemos ao planeta com uma única missão: amar a nós mesmos incondicionalmente.
Mas existe um longo caminho até lembrarmos disso.
Nascemos no meio de um enredo já em andamento.
Pai, mãe, família… todos já estão vivendo suas próprias histórias, dores, ausências e conflitos.
E nós, que acabamos de chegar, entramos nessa peça sem entender o roteiro.
Com o tempo, começamos a acreditar que precisamos ser excelentes atores para receber amor.
Tentamos provar aos nossos pais que somos bons, dignos, especiais… merecedores do amor deles.
Principalmente quando crescemos em ambientes emocionalmente ausentes.
Então a criança começa a acreditar que aquela ausência tem relação com ela.
Que talvez precise se esforçar mais.
Ser melhor.
Dar menos trabalho.
Acertar mais.
Salvar a família.
Fazer todos felizes.
Porque em algum momento ela percebeu que, quando os pais estavam felizes, a tratavam melhor.
E assim, sem perceber, sua vida começa a girar em torno de uma necessidade silenciosa:
ser vista.
Você aprende a performar para receber amor.
Aprende a provar valor através do que faz e não através do que é.
Esse padrão se expande.
Você repete isso nas amizades, nos relacionamentos, no trabalho, nas redes sociais.
Passa a viver tentando convencer o mundo de que merece amor, reconhecimento e pertencimento.
E essa ferida cresce cada vez mais em uma sociedade que lucra com a desvalorização humana.
Todos os dias existem pessoas tentando vender fórmulas para que você finalmente se sinta suficiente.
Fama, dinheiro, aparência, performance, produtividade…
Muitos sabem exatamente onde dói.
E fazem você acreditar que existe algo errado com você.
Que você é fracassado.
Que precisa de um antídoto para merecer amor, sucesso ou aceitação.
Então você continua buscando fora aquilo que nunca perdeu dentro.
E aos poucos vai esquecendo quem é.
Esquece que você já nasceu sendo valor.
Esquece que é único.
Esquece que é uma centelha divina.
Esquece que sua essência já é amor.
Você não precisa de nada externo para provar isso.
Você só precisa lembrar quem você é…
e não aquilo que ensinaram você a ser.
Texto: Lilian Maria